quinta-feira, 18 de abril de 2013

Sind-UTE/MG participa do lançamento da agenda do 1º de Maio da Classe Trabalhadora na Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Sind-UTE/MG participa do lançamento da agenda do 1º de Maio da Classe Trabalhadora na Assembleia Legislativa de Minas Gerais
Diversas entidades sindicais e sociais, entre elas, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), marcaram presença no lançamento das atividades do 1º de maio da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), no último dia 15 de abril, no Plenarinho IV, da Assembleia Legislativa de Minas.
 

A presidenta da CUT/MG e coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, abriu o encontro destacando: “O nosso 1º de Maio é de Luta. Diferente de outras centrais, vamos contrapor às comemorações oficiais. Não vamos contratar nenhum show de artista famoso, nem tampouco sortear casa e carro. Vamos sim, lembrar as maiores atrocidades cometidas contra a classe trabalhadora em Minas Gerais. Queremos justiça para o Massacre de Ipatinga, a Chacina de Unaí e o Massacre de Felisburgo”, reforçou.

 
Numa mesa composta pelo vice-presidente da CUT/MG, Carlos Magno de Freitas, o vice-presidente da CUT Nacional; Shakespeare Martins de Jesus, da CUT Nacional; Sílvio Netto, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Carlos Calazans, Beatriz Cerqueira conclamou a todos a se unirem em debates, manifestações e atos públicos em defesa da classe trabalhadora que acontecerão nos meses de abril e maio.
 
Programação
Ao divulgar todas as atividades programadas: 21 de abril (Ouro Preto), 24 (em Contagem), 26 e 30 (Belo Horizonte) e 1º de maio (Contagem), pediu a participação das entidades e destacou que a presença expressiva de entidades sindicais e sociais no evento demonstra a força e a disposição dos trabalhadores para a luta.
 
As greves dos técnico-administrativos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e dos eletricitários foram destacadas como atividades importantes, assim como a agenda de luta dos trabalhadores em Educação, que nos dias 23, 24 e 25 próximos, numa convocação da Confederação Nacional da Educação (CNTE), realizam greve nacional.
 
Massacres e impunidade
Os crimes bárbaros contra a classe trabalhadora e que ainda continuam impunes: Massacres de Ipatinga e Felisburgo e a Chacina de Unaí foram lembrados como momentos cruéis e dos piores da história de Minas Gerais.
 
Ao fazer uso da palavra, Sílvio Netto (o Silvinho) do Movimento Rurais Sem Terra (MST) lembrou os oito anos do Massacre de Felisburgo e disse que, finalmente, o julgamento do fazendeiro Adriano Chafik, mandante e réu confesso do Massacre, foi marcado.
“No dia 15 de maio, em Belo Horizonte, estaremos aqui e esperamos por Justiça. Afinal, até agora devido às manobras de gente do governo e até do judiciário, o júri ainda não aconteceu, tendo sido adiado por várias vezes”.
 
Silvinho conclamou a todos a participarem de uma grande mobilização no dia do julgamento, em Belo Horizonte, e que envolverá não só o clamor por justiça, mas a luta pela terra, pela reforma agrária, contra a tarifa de energia elétrica, pelo ICMS justo e contra esse governo tucano do Estado.
 
O ex- Superintendente Regional de Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE-MG), à época da Chacina de Unaí, Carlos Calazans, cumprimentou a direção da CUT/MG por não se render ao modelo de outras centrais que preferem um 1º de maio de pirotecnia. Ao falar da Chacina de Unaí contou em detalhes, num depoimento emocionado, algumas passagens da tragédia: “Um dos momentos mais tristes da minha vida. Esse foi o maior crime da história do nosso país cometido contra o Estado brasileiro. É muito dolorido lembrar tudo isso. Quase 10 anos se passaram e eu não me esqueço desta barbaridade.”
 
Calazans disse ainda que os órfãos dos servidores do Ministério do Trabalho, assassinados em 2004, os fiscais Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage, Nelson José da Silva e o motorista Ailton Pereira de Oliveira estão hoje com cerca de 20 anos, portanto, passaram toda a adolescência sem os seus pais.
 
Também não escondeu sua indignação ao lembrar que um dos mandantes, o fazendeiro Antério Mânica, chegou a ser preso, mas conseguiu a liberdade por meio de habeas corpus e foi condecorado com a medalha de Honra ao Mérito da Assembleia Legislativa. “Ao saber desse absurdo, eu que já havia recebido essa mesma medalha, devolvi a minha.”
 
Falou da necessidade de prosseguir a luta, pois, num ato sem explicação, a juíza responsável por julgar o processo se disse incompetente e o devolveu para Unaí, mais agressão e desrespeito às famílias das vítimas. Mas, o Superior Tribunal de Justiça, no dia 10 de abril último, decidiu que o júri será mesmo em Belo Horizonte.
 
Outra atrocidade cometida contra a classe trabalhadora foi destacada pelo vice-presidente da CUT/MG, Carlos Magno de Freitas. O Massacre de Ipatinga, segundo ele, aconteceu em 1963, quando o presidente Jânio Quadros havia acabado de renunciar. Nesta época, as condições de trabalho eram precárias demais e a pressão à classe trabalhadora massacrante. “Praticamente não havia organização sindical. O que aconteceu em Ipatinga até hoje não se sabe. O número de mortos pode ser bem maior do que os dados oficiais revelam, visto que há muita divergência sobre o número de mortos e feridos até hoje.”
 
Magno também destacou a perda de conquistas dos trabalhadores depois do golpe militar, que aconteceu no ano seguinte, em 1964. “Foram muitos os ataques às liberdades democráticas, a exemplo dos atos institucionais. A organização sindical foi golpeada, os sindicalistas perseguidos e  mortos. Por isso é importante revermos a história e prosseguir na luta por justiça social.”
 
O 1º de maio da CUT/MG também foi destacado por Shakespeare Martins de Jesus, da Executiva Nacional, que convocou a todos para a mobilização do dia 18 de abril quando as CUTs em todo o país realizarão atividades para cobrar do governo federal o encaminhamento das reivindicações da classe trabalhadora. A manifestação é um desdobramento da marcha que as centrais sindicais e os movimentos sociais realizaram em Brasília, no dia 6 de março.  
 
Registros
O encontro teve as presenças da deputada federal Margarida Salomão (PT) e do professor  Fabrício de Matos, presidente da Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas (Abrat) representando a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da vice-prefeita de Nanuque, Maria Alba. Logo após, os participantes se dirigiram ao Plenário da ALMG para a solenidade de entrega do título de cidadão honorário do Estado ao ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. 

Publicado em:   http://www.sindutemg.org.br/

Crédito das fotos: Rogério Hilário/CUT-MG









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