quarta-feira, 9 de maio de 2012

Movimentos defendem educação pública, gratuita e de qualidade



Educação também foi tema  de debate do 4° Encontro de Movimentos Sociais que foi realizado na Praça da Assembléia Legislativa de Minas Gerais.  Mais de 1000 pessoas de todas as regiões do estado participam do encontro “Por um projeto Popular para o Brasil: em defesa dos nossos direitos, contra as privatizações”.  





Pedro Stédile, da Coordenação Nacional da Via Campesina; Beatriz Cerqueira, do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE); e Gladstone Reis, da Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande Belo Horizonte (Ames-BH) fizeram análise de conjuntura sobre o tema “Minas, Brasil e Mundo”. 




João Pedro Stédile fez um apelo à unidade dos movimentos sociais e sindicais em torno dos interesses do povo como condição para derrotar os capitalistas e transformar a sociedade. Para Stédile, a unidade depende do entendimento da atuação de três atores da luta de classe – os capitalistas, o governo e a classe trabalhadora – na conjuntura atual.

Beatriz Cerqueira, coordenadora-geral do Sind-UTE, fez uma análise da conjuntura estadual e cobrou a retomada  em Minas Gerais da disputa de projeto político. “Em Minas Gerais os partidos de esquerda estão abandonando o debate ideológico e a disputa de projeto. Nas eleições de Belo Horizonte há a possibilidade de se juntarem na mesma mesa partidos que não têm qualquer afinidade em termos ideológicos. E o que é pior, corremos o risco de contribuir para que o projeto neoliberal retorne ao Palácio do Planalto em 2014. Os movimentos sociais têm papel fundamental para impedir que isso aconteça. É bom lembrar que este projeto neoliberal é responsável pelo recrudescimento das relações com os movimentos sociais e sindicais. Nós trabalhadoras temos dois desafios: resistir e construir.  Nós estamos num momento de resistir, senão não conseguiremos impedir o retorno do projeto neoliberal à Presidência da República”, disse Beatriz.



A coordenadora-geral do Sind-UTE entregou a Gladson Reis, a João Pedro Stédile e ao embaixador da Venezuela no Brasil, Maximillién Sanchéz, os símbolos da campanha salarial dos educadores de Minas Gerais: um prato, que retrata fome de melhorias para os educadores no estado; e um Dossiê da Educação.



Á tarde, o tema do debate foi  “Educação: 10% do PIB, PNE e Piso Salarial”.


Representando a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Marilda Abreu começou sua intervenção comemorando a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que aprovou a constitucionalidade do sistema cotas raciais em universidades, uma vitória dos trabalhadores que permite o acesso ao ensino universitário daqueles que são historicamente impedidos de exercer este direito.
Marilda apresentou números que mostram a disparidade entre a média de investimento em educação nas diferentes regiões brasileiras situação que o Fundo Nacional da Educação Básica (FUNDEB) ajuda a superar, mas ainda é insuficiente. Falou do Piso Nacional para os Professores, aprovado como constitucional no STF e que para o CNTE deve ser de R$1.951,00 para uma jornada de 40 horas semanais. Insistiu da necessidade dos profissionais da educação terem valorizado seu plano de carreira tendo permanente incentivo para sua qualificação. Para Marilda somente quando 10% PIB e de 50% de todo o resultado da exploração do pré-sal e de outros bens naturais forem destinados para a educação é que haverá verdadeiro avanço na educação no Brasil.


Foi também defendendo os 10% do PIB na educação que Marina Dal Monte, vice-presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de Minas Gerais falou da participação dos estudantes na luta pela transformação da sociedade.

Para a estudante a construção do Movimento Estudantil deve cotidianamente construir uma nova forma de educar que busque superar o machismo, a homofobia e as mais diversas formas de preconceito presente na atual sociedade. Enfatizou que “todas as pautas defendidas por educadores e estudantes devem andar juntas e a nossa luta deve ser canalizada para a construção de uma nova sociedade, onde a universidade seja de fato, publica, democrática e popular”.

Juventude na luta pela educação

            Ana Penido, militante do Levante Popular da Juventude, também falou a decisão do Supremo sobre as cotas raciais, mas lembrou de que junto a uma boa notícia há também as que indignam. . “Mais de 30 mil escolas do campo foram fechadas no Brasil em oito anos, informação que surpreendeu até os movimentos sociais que trabalham o tema”, denunciou.
Para Ana, a juventude tem a tarefa histórica de superar a política do possível exercitando a rebeldia em busca de uma política do impossível. “E a educação deve ser tema da construção de um Projeto, de algo que reúna os trabalhadores e que proponha uma nova forma de organizar a sociedade. Para tanto é preciso formar, organizar e fazer as lutas, ter força social nas ruas para construir um novo projeto”

Educação e luta pela emancipação da mulher
Maria da Consolação, professora da rede municipal de educação em Belo Horizonte e militante da Marcha Mundial das Mulheres, destacou a luta das mulheres por um modelo de educação básica pública e de qualidade para seus filhos como parte da luta histórica pela emancipação feminina. Falou dos diferentes concepções que ao longo da história foram construídas em torno da luta pelos direitos das mulheres, da concepção de infância e de educação infantil e do seu papel na divisão sexual do trabalho em torno da educação.
“Educação infantil não é assistência, não é depósito de crianças, é formação, é educação, portanto um direito fundamental”, afirmou. Maria da Consolação enfatizou que os trabalhadores devem disputar com o capital mais tempo para ficar com seus filhos, uma pauta fundamental porque afronta a exploração capitalista que submete os trabalhadores a jornada de trabalhos que o afastam da vida social e da convivência cotidiana com suas famílias.
“É preciso ter claro que tudo o que existe na sociedade é fruto de um longo processo histórico e que tudo pode ser transformado e isso vai acontecer quando termos uma educação emancipadora com acesso a todos os trabalhadores e trabalhadoras”, enfatizou.












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