O jornal semanal Brasil de Fato, com circulação nacional,
foi lançado no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, em 2003 -
Foto: Willian Dias
O jornal Brasil de Fato tem, a partir de agora, uma
edição mineira. O lançamento do primeiro número aconteceu durante
reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de
Minas Gerais (ALMG) realizada na noite desta segunda-feira (13/5/13). O
autor do requerimento foi o deputado Rogério Correia (PT).
O presidente da comissão, deputado Durval Ângelo
(PT), parabenizou os editores do jornal pela iniciativa e ressaltou a
importância da publicação, que com a divulgação de fatos que não recebem
visibilidade na grande mídia, já colaborou decisivamente para a
preservação dos direitos humanos no País, na sua avaliação. “Esperamos
que não pare nesse número zero, que novas edições venham pela frente. E
pedimos às empresas estatais, que sempre são bombardeadas pelos grandes
veículos, que anunciem nesse jornal, para ajudar a mídia alternativa a
permanecer independente”.
O deputado Rogério Correia disse que a ocasião era de comemoração e
reflexão a respeito da necessidade de democratizar a mídia. “Meia dúzia
de famílias manda e desmanda nos veículos de comunicação brasileiros.
Num ambiente desse, ter um jornal como o Brasil de Fato não é fácil. Em
Minas Gerais, temos um quadro de censura. O patrocínio e as propagandas
pagas fazem o silêncio da mídia mineira sobre certos assuntos, que não
são investigados”. Ele destacou a importância de se ter uma publicação
que traz um ponto de vista diferente do que a grande mídia oferece, o
que poderá estimular pessoas a pensar diferente sobre uma série de
questões.
O deputado Pompílio Canavez (PT) ressaltou que a falta de liberdade
de imprensa é histórica. “Não podem ser publicadas só as idéias que
interessam aos donos do poder, por isso o Brasil de Fato é fundamental.
As notícias publicadas por ele não poderão ser lidas em nenhum outro
órgão. Por isso, temos de garantir a distribuição, para que ele chegue
até as pessoas e contribua para o debate e a formação de opinião”,
disse.
Os parlamentares presentes parabenizaram a iniciativa - Foto: Willian Dias
O deputado Adelmo Carneiro Leão (PT), em consonância
com seus colegas, chamou o Brasil de Fato mineiro de “trincheira de
ideias”. “Estamos vivendo um momento muito desafiador. Por isso, é
fundamental ter um espaço para contrapor os interesses midiáticos
fundados sobre os interesses econômicos”. Ele disse ainda que a reforma
agrária que vem sendo debatida em nível federal e estadual está aquém
das necessidades do povo brasileiro e é “incompatível com o tamanho e
grandeza do País”.
A editora mineira do Brasil de Fato, Joana Tavares, destacou que o
lançamento do número zero é apenas o primeiro passo. Ela lembrou que,
para que a publicação se consolide como veículo semanal gratuito, será
preciso grande esforço conjunto. “É só uma vontade, e precisamos nos
unir para que o jornal cumpra as expectativas que suscita”. Ela informou
que o número zero teve 100 mil exemplares impressos, sendo que 50 mil
estão sendo distribuídos no interior do Estado e o restante será
distribuído na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-MG), Beatriz
Cerqueira, também manifestou satisfação com o lançamento do jornal,
destacando a unidade dos movimentos sindicais em torno da viabilização
do veículo de comunicação. Ela também comentou a greve dos servidores
municipais da educação e da saúde. “Acho muito covarde um prefeito que
não dá conta de negociar e recorre ao Poder Judiciário para decretar a
ilegalidade de um movimento tão justo. Há trabalhadores municipais que
recebem menos de um salário mínimo por mês”, destacou.
Convidados criticam adiamento de julgamento
Segundo Silvio Netto, é mentira a alegação de que o adiamento ocorreu por problemas técnicos - Foto: Willian Dias
Durante o lançamento do jornal, parlamentares e líderes
de entidades lamentaram que o julgamento da chacina de Felisburgo,
ocorrida em 2004 no Vale do Jequitinhonha, tenha sido adiado. O
julgamento aconteceria na próxima quarta-feira (15), em Belo Horizonte.
O membro da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra (MST), Silvio Netto, chamou de mentira a alegação de que o
adiamento teria ocorrido por “problemas técnicos” e que as testemunhas,
que estão no Jequitinhonha, não poderiam ser ouvidas em tempo hábil em
Belo Horizonte. “O adiamento demonstra de que lado está a Justiça
brasileira. Milhares de trabalhadores estavam vindo para cá, para
protestar e cobrar que a justiça fosse feita. Agora essas caravanas vão
se espalhar pelo interior de Minas, por vários lugares, fazendo
ocupações e ocupando rodovias.
Exigimos a prisão preventiva de Adriano
Chafik, que continua aterrorizando companheiros no Jequitinhonha, e o
assentamento imediato dos companheiros acampados na região. Amanhã
faremos um ato no Fórum Lafayette e queremos ser recebidos pelo juiz e
ouvir dele quando será a data do novo julgamento”.
A chacina de Felisburgo ocorreu em novembro de 2004, quando 17 homens
invadiram o acampamento do MST na Fazenda Nova Alegria e executaram
cinco sem-terra com tiros à queima-roupa, além de deixar 20 pessoas
feridas. O crime foi a segunda maior chacina de sem-terra no País, atrás
apenas dos assassinatos de 19 trabalhadores por policiais militares em
Eldorado dos Carajás (PA), em abril de 1996.
Requerimentos – Durante a reunião, foram aprovados
três requerimentos para a realização de audiências públicas. O primeiro,
de autoria do deputado Sargento Rodrigues (PDT), é para a realização de
discussão a respeito da Resolução 4251/13, que traz novidades com
relação à regulamentação da jornada de trabalho de policiais e bombeiros
militares.
O deputado Rogério Correia pediu debate sobre a greve na rede
municipal de educação e de saúde, no intuito de auxiliar na
intermediação da negociação de greve com a Prefeitura de Belo Horizonte.
Por fim, o deputado Cabo Júlio (PMDB) solicitou reunião para discutir o Plano Mineiro de Direitos Humanos.
Consulte o resultado da reunião.
Publicado em:
http://www.almg.gov.br/
Fotografias: Taís Ferreira