segunda-feira, 2 de abril de 2012

Informativo SindUTE MG 56



LEIA AQUI: SIND-UTE/MG INFORMA

Para Chauí, ditadura iniciou devastação física e pedagógica da escola pública


Para Chauí, ditadura iniciou devastação física e pedagógica da escola pública

"Você saía de casa para dar aula e não sabia se ia voltar, se ia ser preso, se ia ser morto. Não sabia." (Foto: Gerardo Lazzari/ Sindicato dos Bancários)


São Paulo – Violência repressiva, privatização e a reforma universitária que fez uma educação voltada à fabricação de mão-de-obra, são, na opinião da filósofa Marilena Chauí, professora aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, as cicatrizes da ditadura no ensino universitário do país. Em conversa com a Rede Brasil Atual, Chauí relembrou as duras passagens do período e afirma não mais acreditar na escola como espaço de formação de pensamento crítico dos cidadãos, mas sim em outras formas de agrupamento, como nos movimentos sociais, movimentos populares, ONGs e em grupos que se formam com a rede de internet e nos partidos políticos.
Chauí, que "fechou as portas para a mídia" e diz não conceder entrevistas desde 2003, falou com o editor da Revista do Brasil, Paulo Donizetti de Souza, após palestra feita no lançamento da escola 28 de de Agosto, iniciativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo que elogiou por projetar cursos de administração que resgatem conteúdos críticos e humanistas dos quais o meio universitário contemporâneo hoje se ressente.


Quais foram os efeitos do regime autoritário e seus interesses ideológicos e econômicos sobre o processo educacional do Brasil?

Vou dividir minha resposta sobre o peso da ditadura na educação em três aspectos. Primeiro: a violência repressiva que se abateu sobre os educadores nos três níveis, fundamental, médio e superior. As perseguições, cassações, as expulsões, as prisões, as torturas, mortes, desaparecimentos e exílios. Enfim, a devastação feita no campo dos educadores. Todos os que tinham ideias de esquerda ou progressistas foram sacrificados de uma maneira extremamente violenta.
Em segundo lugar, a privatização do ensino, que culmina agora no ensino superior, começou no ensino fundamental e médio. As verbas não vinham mais para a escola pública, ela foi definhando e no seu lugar surgiram ou se desenvolveram as escolas privadas. Eu pertenço a uma geração que olhava com superioridade e desprezo para a escola particular, porque ela era para quem ia pagar e não aguentava o tranco da verdadeira escola. Durante a ditadura, houve um processo de privatização, que inverte isso e faz com que se considere que a escola particular é que tem um ensino melhor. A escola pública foi devastada, física e pedagogicamente, desconsiderada e desvalorizada.

E o terceiro aspecto?

A reforma universitária. A ditadura introduziu um programa conhecido como MEC-Usaid, pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, para a América Latina toda. Ele foi bloqueado durante o início dos anos 1960 por todos os movimentos de esquerda no continente, e depois a ditadura o implantou. Essa implantação consistiu em destruir a figura do curso com multiplicidade de disciplinas, que o estudante decidia fazer no ritmo dele, do modo que ele pudesse, segundo o critério estabelecido pela sua faculdade. Os cursos se tornaram sequenciais. Foi estabelecido o prazo mínimo para completar o curso. Houve a departamentalização, mas com a criação da figura do conselho de departamento, o que significava que um pequeno grupo de professores tinha o controle sobre a totalidade do departamento e sobre as decisões. Então você tem centralização. Foi dado ao curso superior uma característica de curso secundário, que hoje chamamos de ensino médio, que é a sequê ncia das disciplinas e essa ideia violenta dos créditos. Além disso, eles inventaram a divisão entre matérias obrigatórias e matérias optativas. E, como não havia verba para contratação de novos professores, os professores tiveram de se multiplicar e dar vários cursos.
"Fazer uma universidade comprometida com o que se passa na realidade social e política se tornou uma tarefa muito árdua e difícil"

Houve um comprometimento da inteligência?


Exatamente. E os professores, como eram forçados a dar essas disciplinas, e os alunos, a cursá-las, para terem o número de créditos, elas eram chamadas de “optatórias e obrigativas”, porque não havia diferença entre elas. Depois houve a falta de verbas para laboratórios e bibliotecas, a devastação do patrimônio público, por uma política que visava exclusivamente a formação rápida de mão de obra dócil para o mercado. Aí, criaram a chamada licenciatura curta, ou seja, você fazia um curso de graduação de dois anos e meio e tinha uma licenciatura para lecionar. Além disso, criaram a disciplina de educação moral e cívica, para todos os graus do ensino. Na universidade, havia professores que eram escalados para dar essa matéria, em todos os cursos, nas ciências duras, biológicas e humanas. A universidade que nós conhecemos hoje ainda é a universidade que a ditadura produziu.

Essa transformação conceitual e curricular das universidade acabou sendo, nos anos 1960, em vários países, um dos combustíveis dos acontecimentos de 1968 em todo mundo.

Foi, no mundo inteiro. Esse é o momento também em que há uma ampliação muito grande da rede privada de universidades, porque o apoio ideológico para a ditadura era dado pela classe média. Ela, do ponto de vista econômico, não produz capital, e do ponto de vista política, não tem poder. Seu poder é ideológico. Então, a sustentação que ela deu fez com que o governo considerasse que precisava recompensá-la e mantê-la como apoiadora, e a recompensa foi garantir o diploma universitário para a classe média. Há esse barateamento do curso superior, para garantir o aumento do número de alunos da classe média para a obtenção do diploma. É a hora em que são introduzidas as empresas do vestibular, o vestibular unificado, que é um escândalo, e no qual surge a diferenciação entre a licenciatura e o bacharelato.
Foi uma coisa dramática, lutamos o que pudemos, fizemos a resistência máxima que era possível fazer, sob a censura e sob o terror do Estado, com o risco que se corria, porque nós éramos vigiados o tempo inteiro. Os jovens hoje não têm ideia do que era o terror que se abatia sobre nós. Você saía de casa para dar aula e não sabia se ia voltar, não sabia se ia ser preso, se ia ser morto, não sabia o que ia acontecer, nem você, nem os alunos, nem os outros colegas. Havia policiais dentro das salas de aula.

Houve uma corrente muito forte na década de 60, composta por professores como Aziz Ab'Saber, Florestan Fernandes, Antonio Candido, Maria Vitória Benevides, a senhora, entre outros, que queria uma universidade mais integrada às demandas da comunidade. A senhor tem esperança de que isso volte a acontecer um dia?

Foi simbólica a mudança da faculdade para o “pastus”, não é campus universitário, porque, naquela época, era longe de tudo: você ficava em um isolamento completo. A ideia era colocar a universidade fora da cidade e sem contato com ela. Fizeram isso em muitos lugares. Mas essa sua pergunta é muito complicada, porque tem de levar em consideração o que o neoliberalismo fez: a ideia de que a escola é uma formação rápida para a competição no mercado de trabalho. Então fazer uma universidade comprometida com o que se passa na realidade social e política se tornou uma tarefa muito árdua e difícil.

"Esse é o momento também em que há uma ampliação muito grande da rede privada de universidades, porque o apoio ideológico para a ditadura era dado pela classe média"


Não há tempo para um conceito humanista de formação?

É uma luta isolada de alguns, de estudantes e professores, mas não a tendência da universidade.

Hoje, a esperança da formação do cidadão crítico está mais para as possibilidades de ajustes curriculares no ensino fundamental e médio? Ou até nesses níveis a educação forma estará comprometida com a produção de cabeças e mãos para o mercado?

Na escola, isso, a formação do cidadão crítico, não vai acontecer. Você pode ter essa expectativa em outras formas de agrupamento, nos movimentos sociais, nos movimentos populares, nas ONGs, nos grupos que se formam com a rede de internet e nos partidos políticos. Na escola, em cima e em baixo, não. Você tem bolsões, mas não como uma tendência da escola.


quinta-feira, 22 de março de 2012

Assembleia do Sind-UTE/MG 15/03/2012





Assembleia do Sind-UTE/MG - Sindicado Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais no Pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, dia 15 de março de 2012.

As atividades fizeram parte da Greve Nacional da Educação, promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Uma das decisões foi o protocolo, junto ao Ministério Público Federal (MPF), de uma representação para cobrar do Governo do Estado o cumprimento da lei federal 11.738/08, que regulamenta o Piso Salarial da categoria em todo o país.

Nova Assembleia Estadual acontecerá no dia 21/4, em Mariana, quando vai acontecer o lançamento da Semana Nacional da Educação. Outra decisão votada pela categoria é potencializar o diálogo com a comunidade escolar e a sociedade, no intuito de mostrar a realidade da educação em Minas Gerais.

A atividade integrou o calendário de luta do segundo dia de greve nacional e contou com apoio e participação de diversas entidades e movimentos sociais, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Central Única dos Trabalhadores (CUT/MG), Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas, Movimento dos Sem Terra, Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais, Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais (Sindieletro-MG), União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG), dentre outros movimentos e entidades. A coordenadora-geral do Sind-UTE/MG Beatriz Cerqueira destacou a importância da participação das entidades. "O apoio dos movimentos sindical e social fortalece a iniciativa da categoria, que está unida e não abrirá mão de seus direitos definidos por lei", afirmou.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Greve nacional da educação em Minas tem adesão de 35% das escolas e 56% em Belo Horizonte

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) promoveu, tarde passada, Assembleia Estadual no pátio da ALMG, como parte das atividades do 2º dia da Greve Nacional da Educação, promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

A paralisação em Minas Gerais começou nessa quarta-feira (14/3) e, até o momento, segundo o Sind-UTE/MG, tem a participação de 35% das escolas em todo o Estado. Somente em Belo Horizonte, das 225 escolas estaduais, 97 (ou 44%) não aderiram à greve nacional. Participam da paralisação 128 escolas, ou seja, 56% do total de estabelecimentos de ensino.

No Estado, além da capital, mais 34 municípios participam da greve nacional, entre eles, Contagem, Betim, Juiz de Fora e Ipatinga.

PISO - De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), atualmente, 17 estados – entre eles, Minas Gerais -, não pagam o Piso Salarial.

Reunião Conselho Geral Sind-UTE/MG

Beatriz Cerqueira - Coordenadora Geral Sind-UTE/MG



 José Celestino - Secretário Nacional de Formação da CUT




Ana Carolina - Executiva Nacional Estudantes de Pedagogia

Jairo Nogueira - Sindeletro-MG


 José Celestino - Secretário Nacional de Formação da CUT






 Marilda de Abreu Araújo - Secretária de Organização da CNTE e diretora do Sind-UTE/MG


Padre João - Deputado Federal (PT)


Gladston Reis - Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas - AMES/BH




Rogério Correa - Deputado Estadual (PT)



fotografias: Taís Ferreira

Publicado em: http://www.sindutemg.org.br

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Congresso Araxá 1 Abertura 9º Congresso do Sind-UTE/MG



Congresso do Sind-UTE/MG bate recorde de participação.
Nos dias 10, 11 e 12 de fevereiro os trabalhadores em educação de Minas Gerais se reuniram no 9º Congresso do Sind-UTE/MG, na cidade de Araxá. O evento contou com a participação de mais de 2.500 delegados de todo o estado, representantes de educação, de movimentos sociais e estudantil e entidades sindicais, além do teólogo e escritor Leonardo Boff, que fez a conferência de abertura. 
Assista aos vídeos do evento no CANAL EducadoresMG do You Tube.

Congresso Sind-UTE Araxá 10/02/12



O 9º Congresso do Sind-UTE/MG aconteceu nos dias 10, 11 e 12 de fevereiro, no Sesc em Araxá, à Rua Doutor Edmar Cunha,150, bairro Santa Terezinha . Com a participação de mais de 2500 delegados o evento do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais teve a participação de representantes da educação, de movimentos sociais e estudantil e entidades sindicais, além do teólogo e escritor Leonardo Boff, que fez a conferência de abertura.

A coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, apresentou, durante a cerimônia, a prestação de contas dos recursos da entidade dos últimos anos, e a atuação política da atual gestão da entidade, que resultou na conquista de seis mil novos filiados. Afirmou que esta edição do Congresso superou as expectativas. "Contamos com a participação de mais de 2.500 delegados/as de todo o Estado, o que nos possibilita aglutinar forças para fazermos um grande debate sobre a Luta pelo Piso e sobre a carreira dos profissionais da educação da rede estadual".

Sind-UTE/MG - Institucional Abertura Congresso Araxá

Congresso do Sind-UTE/MG bate recorde de participação.
Nos dias 10, 11 e 12 de fevereiro os trabalhadores em educação de Minas Gerais se reuniram no 9º Congresso do Sind-UTE/MG, na cidade de Araxá. O evento contou com a participação de mais de 2.500 delegados de todo o estado, representantes de educação, de movimentos sociais e estudantil e entidades sindicais, além do teólogo e escritor Leonardo Boff, que fez a conferência de abertura.
Assista ao vídeo apresentado na abertura do evento.




segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

LUTO E DOR PARA O SIND-UTE/MG


LUTO E DOR PARA O SIND-UTE/MG
Na noite desse domingo um acidente envolveu um ônibus da delegação da subsede Betim que voltava da cidade de Araxá. Os trabalhadores em educação participavam do 9o. Congresso do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), que aconteceu de 10 a 12 de fevereiro. O acidente ocorreu na BR-262, altura do km 535, em Luz, na região Centro-Oeste de Minas Gerais.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o condutor de um automóvel fez uma ultrapassagem incorreta e bateu de frente e na lateral do ônibus, que seguia em sentido contrário. O acidente envolveu também uma carreta. Com o impacto da colisão, os veí­culos pegaram fogo.
39 feridos foram atendidos no Hospital da cidade Luz e os que precisaram de procedimentos mais complexos foram transferidos para o Hospital Regional de Betim.
Os diretores estaduais do Sind-UTE/MG Welshemam Gustavo Pinheiro e José Luiz Rodrigues ajudaram a resgatar os feridos e com as diretoras estaduais Marilda Araújo, Andresa Aparecida Rodrigues e Beatriz Cerqueira passaram a noite no Hospital de Luz.
A direção do Sind-UTE/MG manifesta apoio e solidariedade às vítimas e familiares dos envolvidos em um grave acidente. “Para a nossa profunda tristeza uma professora e duas crianças faleceram. É um momento de muita dor, diante de tamanha tragédia. Estamos de luto.”